Hora Absurda
Queremos democracia, mas viva a ditadura!
06/06/11
28/05/11
21/05/11
A contradição de Sócrates
Sócrates, com o PEC IV, queria amarrar o povo de pés e mãos, afirmando que só assim ele seria capaz de nadar para sair do mar da crise. O PSD não aprovou e Sócrates pediu a demissão, dando origem à crise governativa. O que é que vai mudar, se o Sócrates voltar para o governo? Para quê a demissão se ele se recandidata? Se ele queria lá ficar, que não pedisse a demissão. Ou só quis gastar mais dinheiro aos contribuintes com novas eleições? Na altura ele disse que tinha que pedir a ajuda externa por culpa do PSD e que ele não estava disposto para governar com o FMI, bla, bla, bla.
Entretanto, dá o dito por não dito, arrepende-se (acho que ele se arrepende todos os dias), é reeleito presidente do seu partido com mais de 90% de votos e apresenta-se com o mesmo PALEIO de sempre às novas eleições.
Tenho visto gente incongruente, aldrabona, sabuja e tudo o mais. Mas como o Sócrates, é a primeira vez! Pooooooorrrrrra!
Entretanto, dá o dito por não dito, arrepende-se (acho que ele se arrepende todos os dias), é reeleito presidente do seu partido com mais de 90% de votos e apresenta-se com o mesmo PALEIO de sempre às novas eleições.
Tenho visto gente incongruente, aldrabona, sabuja e tudo o mais. Mas como o Sócrates, é a primeira vez! Pooooooorrrrrra!
08/05/11
Tourada ou copejo do atum

A minha família paterna era oriunda de aldeias da freguesia de Pedrógão Grande, região pobre, viviam da pastorícia e da agricultura, dando origem a uma debandada para outras localidades, à procura de recursos vantajosos. Espalharam-se pelo Ribatejo, Lisboa e Algarve, tendo o meu avô preferido Faro.
Procuravam encontrar-se, quando possível, para saberem como decorria a vida, não cortando os fortes laços que os uniam.
Os familiares que preferiram a Golegã, terra de solo fértil, de início dedicaram-se à agricultura passando, gradualmente, para o negócio de cavalos.
Havia o primo João, da idade do meu pai, que retratava a alma pura do ribatejano. Periodicamente, vinha a Faro passar uns dias a casa do meu avô, onde nos juntávamos ao jantar, que se prolongava noite fora.
O João encantava-me pelo seu porte garboso, pela bravura que emanava e pelo sentido de verdade que realçava em tudo o que dizia.
Aprendi com ele que devemos enfrentar os obstáculos, sem temor, defendendo com “garra” a nossa luta.
Nas noites de convívio, à volta da mesa, a conversa insidia sobre cavalos e touros, criando-se ambiente taurino, não faltando a chouriça assada, azeitonas, queijo, o “abafadinho”, a jeropiga ou a água-pé.
Noite fora, animados e cheios de emoção, captávamos a bravura e o arrojo desse primo João, que nos pegava de caras, nos dominava com sabedoria de estratega, conduzindo-nos, ao momento culminante de entrega absoluta.
Num desses dias de longas conversas, o João pergunta ao meu avô:
- Tio, lembra-se da Leonor e do meu amor por ela? Estava tão apaixonado que abandonei tudo e fiquei a viver, por uns tempos, aqui em Faro!
- Recordo-me bem disso. Que grande loucura!!...A juventude e o calor da paixão leva-nos ao impossível…
Os pais dela - recordou o João - trabalhavam na pesca do atum, viviam na praia de Faro, nos barracões da Companhia de Pescarias do Cabo de Santa Maria, Ramalhete e Forte.
Resolvi ingressar nesse tipo de trabalho para ficar junto dela.
Eram sete barracões identificados com letras do abecedário e vivia-se lá dentro, separados por panos, pendurados em cordas. Havia um outro, destinado ao abastecimento alimentar, explorado pela D. Antonieta. Comia-se muito mal…
No arraial preparávamos as redes e todos os apetrechos para a safra, valendo-nos o companheirismo. Essas redes formavam a armação e iriam para o mar ficando na vertical, suspensas na água, da superfície até ao fundo, criando uma barreira que marcaria a marcha ao atum, encaminhando-o para a “boca”, donde não sairia mais.
A arte era fixa e o corpo tinha três compartimentos, a câmara, o bucho e o copo. Algumas redes eram fortes e largas suspensas e presas por cabos de aço mantidos à superfície, flutuando, com a ajuda de uma enorme quantidade de bóias (placas de cortiça unidas). No fundo do mar, imensas e enormes âncoras de ferro seguravam as redes, com alguma folga, por causa das marés e das correntes marítimas.
Os pescadores da “companha” obedeciam ao mestre ou mandador, tendo as embarcações colocadas em círculo, “aboçadas” à volta do copo, em lugar fixo, aguardando o início do “copejo”.
O peixe encaminhado pelas manobras experientes dos homens, entrava na armadilha, ficando encurralado no copo, onde iria morrer.
Iniciava-se a “levantada” e os companheiros, ao som dos apitos/código, obedeciam às ordens, munindo-se com os “bicheiros” (arpões), presos aos pulsos por uma corda.
Desenrolava-se uma cena de luta, enquanto o copo ia reduzindo o tamanho e apertando o peixe. A falta de água e de espaço para se moverem, provocava pânico nos atuns, que tresmalhados, batiam as caudas levantando água, enevoando o ar, formando uma forte camada de espuma.
Todos gritávamos em uníssono, com o entusiasmo transbordando dentro de nós, perante o espectáculo de enormes peixes nadando e reflectindo o dorso prateado ou fisgados e amontoados uns sobre os outros, no porão do barco.
- “Ala, ala!”…”À lota, à Lota!”
Com um sol abrasador, um céu intensamente azul, despido de nuvens, e no meio dum mar infinito, toda a azáfama, todo aquele esforço humano, levava-nos ao êxtase.
Roupas rasgadas, escorrendo suor, água e sangue, vergados pelo peso do atum, dominávamos todo o cardume sem quebrar, sem temer, sem paragens, esquecidos do tempo e do cansaço…
O redondel do copo mais pequeno, com menor quantidade de peixe, alguns mais voluntariosos saltando para dentro dos barcos, apressando a morte, leva-me a recordar intensamente a minha terra – continua, João a recordar…
- Largo o bicheiro, escolho o maior atum do redondel e salto-lhe para o dorso. Arrastado pelo animal circulo uma centena de metros, debaixo dos gritos de entusiasmo dos meus colegas…
Afundo com o atum e a minha pega, não de caras, clarifica-me as ideias…
O que faço eu aqui?
Isto não é o meu fado, o meu fandango!!!!!!!!!
Preciso de chão firme para sentir a emoção da pega, necessito de sentir o prazer indescritível de poder fechar os braços na cara do toiro e ir, pela praça fora, levado pelo animal enfurecido…
Essa luta é de vida ou de morte, um espectáculo de nobreza e de muita arte!!!!!!!!
Abandono tudo e regresso à minha terra.
Não cheguei a contribuir para o trabalho da contagem de atuns capturados, não vi serem “guindados” dos “calões” para as “andainas” com a utilização de cabrestantes, nem assisti a serem retirados das “andainas”, por guindastes, para a lota e transportados para as fábricas de Vila Real de Santo António.
Escrevi à Leonor e soube que ela e a família foram para o arraial Ferreira Neto, em Tavira.
Tinham salário, comedorias, percentagem no final da safra, numa aliança entre o capital e o trabalho e toda a “companha” beneficiava de condições sociais ímpares para a época. Existia ainda, no arraial, uma Escola, uma Capela dedicada à padroeira da armação, Nossa Senhora do Carmo, um forno, rede de esgotos, cais de embarque com um guindaste…
Ainda hoje recordo, com saudade, o tempo de pesca e a vida na praia de Faro – continua o primo João…
O cheiro do mar, a camaradagem entre os companheiros, a luta aguerrida travada para apanhar os atuns, o sentido de partilha, que desconhecia, daquela maneira…tudo me vem à memória!
Lembro até o mastro colocado no meio dos barracões do arraial, com as bandeiras içadas, indicando a quantidade aproximada, em centos, dos peixes capturados (1/200; 1/500; 1/800). E, se surgisse a sorte de atingir os 1000, seria então, içada a Bandeira Nacional…
Partilhando as alegrias do mar, os familiares e os accionistas da companhia, no arraial da praia ou em Faro, nas suas casas apalaçadas com mirantes, vibravam com o sucesso da pesca, lendo o código das bandeiras.
O convívio prolongou-se noite fora, todos embalados pelas recordações…
Havia, em Faro, várias famílias ligadas à pesca do atum: família Mateus e Mateus da Silveira, Raul Bívar e Justino Bívar, conde do cabo de Santa Maria, banqueiro Baião, Domingos Guieiro…
Despedimo-nos, e quando me deitei, adormeci quase de imediato.
Então, sonhei com um mundo luminoso, irradiando beleza, repleto de homens que tanto nadavam como andavam, mas todos empenhados no bem comum: o querer vencer!
Subitamente, acordo, salto da cama em pânico, tresmalhada… um “roaz de bandeira”( terrível predador de atuns), havia entrado e estragado o meu sonho!!!!!!!!!!!!
Lina Vedes – 20 de Maio de 2008
Transcrito de:
http://adefesadefaro.blogspot.com/2008/05/tourada-ou-copejo-do-atum.html
07/05/11
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